sustenho-me mudo e quedo sobre a cal do muro que está e sempre esteve imóvel perto de minha casa. Ataca-me um silêncio irascível e fugaz. Inundam-se-me os olhos de tanto fulgor brilhante sustido em pequenos vasos de vidro iluminado e repartido por variadíssimos cantos. Sinto uma atmosfera inócua mas que me afecta de certa maneira o espírito.
E contemplo tudo ao meu alcance, o mais pequeno dos pormenores não me é alheio e consigo reter na minha índole todas as pequenas expressões cerradas em pequenos moldes de metal com um epitáfio "mundial" implícito. Questiono-me qual a condição para se puderem auto-caracterizar como crentes. Porquê as flores. Porquê as preces. Porquê o choro?
Carecem as minhas esperanças para entender o processo metafísico que descrevem como Deus. Muitos com catacumbas na alma, "descansam" em paz? poderão ter paz? Serão defuntos ou gente? Porque choram? Certamente esperam um exumação com vida, acto humanamente impossível. Porque choram? pela falta do que chamam amigo, ou ente querido ou tudo o resto? provavelmente. Porque choram? Aquele choro é-me extrínseco, mas vangloria-se em mim. è-me desproporcional. Porque choram? Paira agora um clima fúnebre dentro de mim. Um ambiente de jazigo tétrico e de luto. Preto. Porque choram? Preto. Urna. Porque choram?
E no desterro da terra, se amontoam. E de forma pouco eloquente me suplicam orações e "oraçados"
Porque choram?!
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