Chego da rua. Depois de a noite lúgubre me abstrair durante horas, eis que se insurge a aurora. É graciosa, nos seus tons alaranjados e escarlate. Corre-me nas veias essa noção de independência boreal. E misteriosa, vai se desenrolando até atingir o pico da formosura celeste.

As aves entoam cantos em forma de melodia. As árvores saboreiam-se ao vento. As primeiras criaturas alvas e matinais vão surgindo nesse amanhecer cuidadoso. As paredes ate aí sombrias, revelam a sua lividez e os primeiros ruídos da urbe ressoam por entre alamedas e praças.
Então, os até aí encobertos por um dissimulado crepúsculo, brotam das suas habitações congeladas pela fosforescência da manhã.

Sentindo a pressão quotidiana e as metas impostas pelo animal enjaulado que é o Homem, retiro-me tornando-me noctívago e genuíno numa noite pérfida que tão bem contrasta com o meu índole há tanto roubado.

3 comments:

  1. não há melhor do que aqueles que saem fluentemente, e eu até aposto que foi assim aconteceu com aquele, não foi?

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  2. bring it on!

    na soares dos reis? eish, isso não é lá para o porto? nop, nem perto x)

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